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Texto, uma editora do grupo LeYa leYa

Computador vs Livro

A tudo o que é invenção e novidade sucede algo como se o Infante D. Henrique e o Velho do Restelo andassem de mãos dadas... Um tem ideias, descobre e inventa; o outro tem medo, medo do desconhecido, da novidade, da mudança. Medo do futuro.


O Exemplo da Calculadora de Bolso

A calculadora de bolso democratizou-se nos anos 70. Logo surgiram as vozes que vaticinavam o fim do cálculo mental, da memorização e do saber a aritmética.
E hoje, como é? Há pessoas que não sabem fazer contas de cabeça, que não detectam um erro de resultado, que contam pelos dedos, etc.
E temos também a calculadora espalhada por toda a parte: dos mercados aos escritórios, das mercearias aos hipermercados, das lojas às residências de todos nós.

E... à escola, esse local que lhe foi hostil mas onde hoje se conta com ela como um instrumento fundamental para a aprendizagem do cálculo, sendo já é uma ferramenta legítima e aceite, integrada nos programas curriculares e com direito a capítulos próprios nos manuais escolares!


Outros Exemplos

Sabia que quando surgiram as canetas esferográficas houve logo vozes que clamaram contra o fim da bela caligrafia da tinta permanente? E que quando apareceu a televisão houve quem "enterrasse" rapidamente a rádio? E quando o vídeo se tornou acessível a todos, foi a vez de se ouvirem maus augúrios quanto ao futuro do cinema?
E haverá sempre exemplos destes, de situações em que se instala o medo de que o que é novo possa acabar com o que existia e se conhecia bem...


E os Computadores?

Será que vão matar os livros? Ou o gosto pela leitura?
Neste assunto vamos por partes: saber ler é fundamental, mas é diferente de gostar de ler.

O gostar de ler deve ser encarado com naturalidade e como se encara outro gosto qualquer: ninguém fica muito preocupado se o Joãozinho não gostar de atletismo, mas fica-se preocupado se o Joãozinho não souber andar, certo?
Com a leitura deverá ser o mesmo: provavelmente o Joãozinho poderá não gostar de ler, mas terá de saber ler.

Experimente-se mexer num computador sem saber ler. Como decifrar toda a informação? Como navegar na Internet sem ler? Como procurar o que se quer sem ler?


O Grande Desafio

O grande desafio é mostrar a magia do texto escrito, o modo como a nossa imaginação se potencia quando lemos ou ouvimos narrativas, contos, histórias, quando criamos fadas e castelos e personagens e aventuras...

O grande desafio é acreditar que o computador pode ser mais uma ferramenta, um meio para acedermos a mais leitura, a mais saber, a lermos mais - a imaginarmos e a criarmos com base no saber ler e nas possibilidades que o computador nos abre.

Não se deverá temer o computador, mas vê-lo como um aliado, como algo que pode ajudar quem lê (e quem ainda não lê) a gostar de ler.


Algumas sugestões para tentar aliar o gosto pela leitura ao computador

1. O computador é uma folha em branco. Deve ser aproveitado para criar aventuras, histórias e tudo o que nos apetecer.

2. Um livro é (por enquanto...) mais portátil que um computador. Há que ler ao ar livre, levar um livro connosco! Há tempo para as duas coisas.

3. Usar os jogos do computador para aprender e para nos divertirmos. As crianças poderão, por exemplo, tentar escrever sobre os jogos. E aprender a gostar de escrever.

4. Usar o computador para trocar textos, criados ou recolhidos.

5. Ir mais longe: inventar jogos e também desenhar e pintar o que foi criado.

6 E tal como se lêem histórias de um livro, podem ler-se histórias que surjam num computador, depois de impressas e, quem sabe, depois de ilustradas.