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Texto, uma editora do grupo LeYa leYa

Rufias - Crianças com comportamentos agressivos

Por que é que algumas crianças agridem e intimidam outras crianças?

É frequente que as crianças (os "rufias") que apresentam comportamentos agressivos face a outras crianças não sejam felizes. Estas crianças têm medos:
- medo de que ninguém goste delas;
- medo de mudanças que ocorreram (ou vão ocorrer) nas suas vidas, o que denota problemas de adaptação que não são detectados;
- medo da solidão;
- medo de não receberem a atenção de que necessitam (o que pode desencadear ciúmes);
- medo de que, se não se mostrarem "maus" e agressivos, possam ser agredidos por outrem;
- medo de outras pessoas.
São crianças que precisam de ajuda e atenção.

Muitas vezes, as crianças que agridem outras são (ou foram) elas próprias vítimas de agressão ou intimidação por parte de outras e assumem este comportamento para abandonarem o papel de "vítima".


O que fazer para tentar alterar o comportamento destas crianças?

Transmita à criança a ideia de que ninguém tem o direito, seja porque razão for, de agredir ou intimidar outra pessoa.

Explique de forma clara o significado do seu comportamento, ou seja, o que são actos de agressão e/ou intimidação.
A criança deve saber que os que "ficam a ver" estão também a participar da acção ao serem coniventes (e são estas as crianças que costumam sentir-se mais confusas). Há que frisar que comunicar um incidente que presenciaram é um acto de uma pessoa responsável e não "fazer queixinhas".
Sem criar "compartimentos estanques" podemos identificar, por exemplo, intimidação do tipo:
- Físico (provavelmente o género mais óbvio de intimidação, traduzido em murros, pontapés, dentadas, beliscões, puxões de cabelo, etc.).
- Verbal (acompanha frequentemente as agressões físicas e pode incluir insultos, provocações e divulgação de boatos).
- Emocional (estreitamente ligada aos tipos anteriores; traduz-se frequentemente pela exclusão de um dado elemento do grupo - ou de um determinado evento - e pela coacção dos restantes elementos para que assumam esse comportamento).
- Racista (pode traduzir-se em comentários racistas, graffittis da mesma natureza perto da casa ou escola da pessoa visada, zombar das tradições/hábitos culturais do grupo onde a pessoa visada se insere ou gestos ofensivos).
- Sexual (caracterizado por comentários grosseiros e/ou contacto físico não consentido).

Não "cole" rótulos nas crianças, catalogando-as como "rufias" ou "vítimas". Ambas as palavras têm uma carga negativa, fazendo com que todos os visados se sintam mal.

Se suspeita que uma criança é alvo de intimidação, investigue. Os indícios mais comuns são enurese nocturna (chichi na cama), choro sem motivo aparente, comportamentos agressivos para com os irmãos mais novos, pesadelos, insónias, entre outros.

Leve a sério os medos manifestados pelo seu filho. Eles não surgem do nada.

Seja optimista e tenha uma atitude positiva. Quer o seu filho seja agressor ou agredido, a situação costuma ser temporária. Na maior parte dos casos as crianças resolvem os problemas entre si (às vezes com uma discreta ajuda). Se o problema tem por palco a escola, dirija-se em primeiro lugar ao professor (ou director de turma) pois a qualidade do ambiente que se respira na escola faz parte das suas atribuições. Ele(a) ajuda-lo(a)-á a resolver o problema da melhor maneira.

Dê atenção ao seu filho. Dedique-lhe o máximo de tempo que conseguir. Ter alguém amigo com quem falar (mesmo que não tenha coragem de falar sobre o assunto que realmente o(a) preocupa) é muito importante. Ouça o seu filho com toda a atenção.

Ajude o seu filho a aumentar a sua autoestima. Uma criança com maior autoestima terá maior facilidade em enfrentar qualquer problema. Eduque pelo exemplo. Mostre que não há problemas sem solução e, sobretudo, seja um(a) pai/mãe presente e atencioso.

Qualquer criança pode ser alvo de intimidação mas algumas são mais vulneráveis em determinados momentos das suas vidas. Ajude-as, estando presente, a enfrentar e superar situações como divórcios, mudanças de casa (e uma nova escola...), doença prolongada ou o nascimento de um(a) novo(a) irmã(o).
Também as crianças com problemas (por vezes transitórios) de aprendizagem - dificuldades na leitura, dislexia, entre outros - podem sentir-se mal e chegar até a "autoexcluir-se".