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Texto, uma editora do grupo LeYa leYa

Como escolher uma profissão

O pior é escolher...

Uma escolha implica quase sempre tomar uma decisão e deixar uma (ou muitas) alternativas para trás. O que faz com que essa tomada de decisão tenha que ser fundamentada e realista (ou seja, tens de pensar a sério). Se pensares bem, verás que as tuas decisões diárias (algo tão simples como "hoje não lavo o cabelo") são influenciadas e resultam de uma enorme quantidade de factores internos e externos - na maior parte das vezes nem nos apercebemos de todos. Isto quer dizer que embora tenhas sempre uma "margem de manobra", estás inevitavelmente condicionado pelo meio que te rodeia (os cotas, o pessoal do café, etc., etc., etc....), pelo contexto e pela informação que possuis.

Sem te querer deprimir, o facto é que escolher uma profissão é, em parte, optar por um estilo de vida. E para que faças uma escolha realista, é fundamental que tenhas informação sobre o mundo do trabalho, sobre as relações que os profissionais estabelecem com o trabalho e com a sociedade em geral e (muito importante!) sobre ti próprio.

A tua presença no mundo do trabalho tem muito a ver com o teu estilo pessoal e com o que pretendes da vida, tem muito a ver com os teus projectos, isto é, com a forma como gostarias de conceber o teu futuro.
Não esqueças que o mercado de trabalho dos dias de hoje é significativamente mais complexo do que antigamente: surgem constantemente profissões novas, desaparecem outras, ao mesmo tempo que se altera a forma como muitas profissões são exercidas. O mercado de trabalho é mais exigente mas também mais estimulante.


Analisando os teus projectos

Talvez já tenhas algumas ideias para o futuro ou ainda não tenhas pensado muito nisso. Quem sabe se já fizeste até planos que depois abandonaste. É sempre preciso tempo para reflectir sobre estas questões.

Pensa no que é importante para ti, no que gostas de fazer, no que sabes fazer, naquilo para que tens mais jeito ou que aprendes com mais facilidade, no tipo de tarefas que gostarias de realizar. Avalia as tuas experiências, recorda o que tens feito até hoje e imagina o que gostarias de vir a fazer.
Define os teus objectivos e pondera o que tens de fazer para concretizar os teus projectos.
Antes de fazeres a tua escolha, é importante saberes o que queres. Poderás assim planear as acções que te ajudem a chegar onde desejas.

Planear as acções significa:
  • Identificar objectivos (entrada a curto/médio ou longo prazo no mundo do trabalho, formação mais técnica ou mais científica, saídas profissionais);
  • Identificar as tuas características pessoais (conhece-te melhor: confirma as tuas aptidões; explora os teus interesses; avalia as tuas competências; analisa os teus valores);
  • Descobre que cursos e formações existem.

Deves informar-te sobre o que se faz numa profissão: se implica trabalhar sobretudo com pessoas, com dados ou com coisas, por exemplo. Deves saber qual a responsabilidade inerente a essa profissão, quais as exigências, qual o tipo de ambiente de trabalho que envolve e os instrumentos que são utilizados; mas também qual a formação requerida, os horários e locais de trabalho e as possibilidades de promoção e carreira.

É fundamental conheceres com antecedência os requisitos e exigências da profissão, para que os possas relacionar com as tuas competências e experiências. Por isso:
  • Recolhe o máximo de informação. Utiliza todos os meios ao teu alcance.
  • Organiza e sistematiza a informação recolhida, de acordo com a imagem que tens de ti.
  • Selecciona a informação obtida; cruza o que pensas serem as tuas aptidões com as oportunidades de formação e saídas profissionais existentes.

Os profissionais valorizados pelo mercado de trabalho, independentemente da área profissional onde estão inseridos, devem possuir uma formação escolar sólida e qualificações profissionais múltiplas ou cruzadas. Várias especializações e disponibilidade para alargar saberes e competências ao longo da vida são fundamentais, principalmente porque permitem uma adaptação constante às novas situações de trabalho.

A qualificação profissional (a titularidade de um diploma profissional) é um instrumento indispensável para uma integração no trabalho mais facilitada porque funciona como uma garantia da qualidade do profissional.

Mãos à obra!


Sabes que, só na Classificação Nacional de Profissões, estão descritas 1870 profissões em 680 páginas? Imagina só o tempo que gastarias para analisar cada uma delas. Para tornar a tarefa mais fácil, podes agrupá-las segundo vários critérios; por exemplo: profissões que implicam estar com pessoas, tratar dados ou utilizar máquinas; que se exercem predominantemente ao ar livre ou em recintos fechados; que implicam actividades relacionadas com arte, cultura ou com a investigação científica e técnica, etc.). Podemos, assim, criar tantos grupos de profissões quantos quisermos.

Nas ofertas formativas do Ensino Secundário ou equivalentes, encontramos um esquema organizativo de áreas de formação - os agrupamentos - baseadas em vários ramos do conhecimento, cujos conteúdos podem ser vistos em articulação com o mundo do trabalho. Assim, por exemplo, após a Revisão Curricular de 2002, o Ensino Secundário organiza-se da seguinte forma:
  • Agrupamento 1 - Ensino científico-humanístico
  • Agrupamento 2 - Ensino tecnológico
  • Agrupamento 3 - Ensino artístico
  • Agrupamento 4 - Ensino profissional

Antes de escolher...

Antes de tomares uma decisão (que não é assim "tão final", podes sempre reconsiderar) recomendamos que:

  • Faças uma lista das pessoas que conheces. Depois, procura recordar-te das suas profissões e regista aquilo que sabes acerca delas. Finalmente, tenta agrupá-las segundo:
- o que exigem de quem as desempenha; - a formação necessária; - as condições de trabalho (horário, local de trabalho, regalias sociais, nível salarial, etc.).

Assim ficarás com uma ideia mais clara.