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Texto, uma editora do grupo LeYa leYa

Pôr a cabeça a funcionar a... 100%

O funcionamento do cérebro

Apesar do descanso das férias grandes é preciso estar preparado para enfrentar o ano escolar e pôr a cabeça a funcionar a 100%. O ano escolar é longo e uma boa preparação é essencial para o sucesso.

Em simultâneo, o cérebro processa milhares de informações, sendo que muitas delas se passam a um nível não-consciente.
Assim, para o seu bom funcionamento, não só a nível físico como também de toda a parte emocional é importante ter em conta a sua “alimentação”. O cérebro, a mais avançada “bio-máquina” tem um imenso potencial.

O cérebro é composto por uma complexa rede de neurónios. Quando pensamos inicia-se um padrão de actividade nesta rede. Os neurotransmissores são usados para activar os neurónios e são directamente afectados pelo que ingerimos.
Desta forma, compreende-se que o cérebro trabalhe melhor se se incluírem determinados nutrientes na dieta e, por outro lado, o seu desempenho é afectado negativamente com uma dieta pobre.

Formado pelo par de hemisférios cerebrais, separados por um rego central, o cérebro é parte do encéfalo. A camada mais externa é constituída por uma matéria cinzenta pregueada, o córtex cerebral, que é a sede das funções cerebrais superiores, como a fala e a memória. Coordena toda a actividade voluntária, não possui reservas de nutrientes e o glicogénio (que é sintetizado a partir da glicose) é apenas uma pequeníssima parte da sua constituição.

Fazendo uma analogia com o funcionamento de um automóvel, o combustível do cérebro seria a glicose. Esta pode ser obtida através da ingestão de hidratos de carbono ou de alimentos que podem ser convertidos em glicose.
Por dia, o cérebro consume aproximadamente 20% das calorias ingeridas e utiliza 25% do oxigénio consumido.


Para funcionar bem é preciso...

Para criar novas conexões ou adicionar mielina (que reveste os axónios, parte constituinte dos neurónios), o cérebro deverá fabricar as proteínas e gorduras certas. Para tal, produz novas gorduras e proteínas utilizando aminoácidos e ácidos gordos. Estes resultam da digestão de proteínas e gorduras no sistema digestivo.

Beber água é essencial para o bom funcionamento do cérebro. Assim, importa salientar que a ingestão de diuréticos como chá e o café pode ser prejudicial.
Para o seu bom funcionamento são também importantes os lípidos (que se ligam a outros elementos como os ácidos gordos insaturados das proteínas vegetais), os glúcidos, as proteínas (com origem em 50% nos vegetais e o restante na carne), vitaminas (salientando-se as vitaminas B e B6), oligoelementos como o ferro e o magnésio, outros minerais e fibras. Serão também importantes os ácidos gordos de peixe (que se podem encontrar, por exemplo, nas sardinhas, carapaus...).

Alguns alimentos contêm matérias-primas (os chamados precursores) para a produção de neurotransmissores, como o ácido aspártico (que se pode encontrar em amendoins, cereais, batatas e ovos), o ácido glutâmico (na farinha e batatas) e a feninalanina (nas amêndoas, beterrabas, cereais, soja, carne e ovos). Refira-se ainda o triptofano (em ovos, carne, leite, bananas, iogurte e queijo) e a tirosina (no leite, carne, peixe e legumes).

A carência de vitaminas e minerais afecta o funcionamento do cérebro e pode ser provocada por fome, uma dieta pobre, danos no sistema digestivo, uma má absorção de vitaminas e minerais, uma infecção ou por alcoolismo.

Para além da alimentação existem outros factores a ter em conta para a actividade cerebral. Locais com a intensidade de som e muito pontos de luz, como as discotecas, assim como o consumo sistemático e/ou intenso de drogas e álcool são prejudiciais. Quanto à televisão e computador aconselha-se a não estar mais que uma hora de seguida frente ao televisor ou ao monitor.

São também fundamentais para oxigenar o cérebro e reduzir o stress actividades como a prática regular de desporto, andar, passear e correr. A meditação, a reflexão e outras actividades que promovam o auto-conhecimento e o crescimento como indivíduo são também aconselháveis.

É também importante exercitar o cérebro, por exemplo, através decertos jogos (de palavras cruzadas, enigmas...), leitura, filmes e documentários, participação em actividades de associações e clubes, bem como em outras tarefas que combatam a rotina como a escrita, a jardinagem ou a pintura.

Em 2001, após de trinta e cinco anos de experiências, foi verificado que o cérebro pode produzir novos neurónios ao longo da vida e estas novas células têm capacidade para se integrarem na formação de novas memórias. Nas últimas décadas têm-se multiplicado estudos e provas de que o cérebro dos vertebrados continua a produzir neurónios novos ao longo da vida.

De acordo com pesquisas, também de 2001, o cérebro está em constante aprendizagem. A exposição repetitiva a que o ser humano se encontra a objectos, têm um grande efeito no cérebro. A investigação mostra ainda que, em relação a processos visuais básicos, o cérebro nunca descansa.